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Quarta-feira, Janeiro 25 Nelson Rodrigues: "Se cada um sobesse da vida sexual dos outros, ninguém falava com ninguém." Besunta, Jabiroba e Trozoba. Essas foram as palavras de ordem da quinta edição da viagem dos bizarros à fabulosa Ilha Grande. Conforme já havia mencionado, eu só tinha ido até então na primeira viagem, de longe a mais macabra, bizarra e foda. Foi a viagem do perrengue, com direito a tempestade no mar e tudo mais. Pra quem não lembra, o relato da primeira viagem tá em algum lugar desse blog. A ilha continua a mesma, mas a viagem, quanta diferença. Tudo ocorreu tão bem, tão tranqüilo, tão conforme o esperado, que ficamos todos assustados. Nós bizarros sabemos que na verdade o que vem depois da tempestade é a ambulância, por isso nossa desconfiança... Pra ir, eu e Mariana encontramos com o pessoal em frente a DPCA, ali na Presidente Vargas. Até o malandro da van chegar esperamos um bocado, deu tempo pro povo comer um churrasquinho de cotia, dali do Campo do Santana, e até pra levar uma chamada do policial do DPCA. Tudo porque tinha gente se pegando na escada da delegacia... Aí, nas palavras do policial: ¿Pô, na consideração do polícia... Vocês ficam aí, depois passa um carro do O Globo e aí vai sair no jornal ¿Dois menores se pegando na frente da DPCA¿ e aí o polícia perde o emprego... Beleza? Na consideração do polícia...¿. Além disso, era engraçado o pessoal que tava passando pela rua olhando pra gente e pra enorme quantidade de bolsas em frente a delegacia. Deviam estar se perguntando se a gente tava entrando ou saindo... Enquanto ainda estava rindo disso a van chegou. Um Renault Master, a maior da categoria, e isso significa espaço e conforto. Com um certo atraso, partimos pra Mangaratiba. O trajeto foi tranqüilo, paramos na Avenida Brasil pra pegar a Carlinha (namorada do Davi-Júnior) e Ademir. Ouvindo o meu mp3 player eu e Mariana balançávamos as cabeças enquanto o pessoal cantava antigas e clássicas músicas toscas. Chegamos em Mangaratiba lá pelas nove da noite, com um atraso proporcional ao da van. Cosme, nosso barqueiro de plantão estava lá, mas sua escuna (um tipo de barco) estava com problemas. Iríamos então num outro barco, outra escuna, cuja partida do porto se deu por volta das dez e pouca da noite. Aí foi um dos momentos muito legais da viagem: fazer a travessia de noite é particularmente bonito, beirando o poético. O céu é como nas fotos dos livros de ciência da primeira série, cheio de estrelas, a luz da lua se faz presente refletindo na água e essa mais parece uma manta de tecido brilhoso ao vento. Isso sem mencionar os navios cargueiros que ficam ancorados em alto mar... Tudo plasticamente muito bonito. Antes de ir pra Palmas o barco foi deixar a maior parte do pessoal em Abraão, o centro da ilha, e esse movimento nos rendeu pelo menos mais uma hora de viagem no barco. Na verdade, quase todo mundo dormia quando chegamos perto de Palmas. O desembarque na praia se deu com um jeitão de desembarque na Normandia. Os barqueiros estavam com pressa, não sei pra que... Após um momento de tensão, onde todo mundo queria ver se suas coisas haviam sido levadas pra areia, vimos que estava tudo em ordem... Agora eram uma e pouca da manhã e ainda tínhamos que montar as barracas. Se na última viagem a minha barraca era a maior e a mais complicada de montar, dessa vez a minha era a menor e tão fácil de montar como quase todas as outras, exceto da do Diego que é bizarra. Rapidamente o camping, que já estava relativamente cheio, ganhava mais umas sete barracas. Cansados, dormimos. Ah, a fauna de Ilha Grande! Acordei primeiro ao som das cuícas voadoras, era cedo ainda, fui dormir mais um pouco, fui acordado dessa vez pelo rato voador. Na verdade era um maribondo marombado full-size, do tipo que se te picar na perna ela cai. Tinha também um diabo de inseto que ficava cavando, não sei pra que, e, aliás, nem quero saber. Então são oito e pouca da manhã, você acorda inevitavelmente porque o sol bate na barraca e a transforma num forno, você toma café, come um pãozinho ou um biscoito na mesa de café coletiva que a gente fez. Você está numa ilha, cercado de água por todos os lados. O que você faz? Praia, Praia, Praia... Éramos treze bizarros. No sábado chegam mais treze, bizarros de geografia da UFRJ, liderados por Kokão, o Geógrafo do Absurdo. Tiramos o dia pra um passeio de barco: Lagoa Azul e Saco Do Céu, se não me engano. Só alta burguesia! Vimos barcos com direito a helicóptero e tudo mais. E encontramos algo bizarro da fauna de Ilha Grande: um tipo de inseto com alto poder de sucção. Quase que matou o Henrique... Domingo, último dia. Na verdade já tava achando que era um tempo bom pra ir embora. Adoro Ilha Grande, mas também adoro uma mordomia, ventilador, meu banheiro com o box imenso, e meu sofá-cama. Dormir junto com a Mariana foi bom, mas teria sido melhor se houvesse mais espaço na barraca. Eis a grande descoberta: uma barraca de dois lugares é só pra dois mini lugares (e olhe lá) sem ponderar a bagagem. Isso significa que, mesmo que não quisesse, ia dormir juntinho com a Mariana. Pra próxima viagem descolo uma barraca de pelo menos três lugares, pra pelo menos não dormir com os pés em cima da minha mochila. Adoro também a comida daqui de casa, nada contra o restaurante da Fani, logo ela, tão sutil quanto um hipopótamo manco e gentil quanto uma besta. Nem quero saber onde ela frita as batatas. Depois de tudo ter dado relativamente certo e não ter acontecido nenhum absurdo de bizarrice, havia um medo no ar. Alguma coisa podia acontecer no caminho de volta, sabe-se lá. Quando se é desgraçado é preciso levar tudo em consideração. Mas até que não, a volta foi tranqüila, com um puto sol das quatro da tarde. Chegando em Mangaratiba pegamos uma van, dessa vez uma Besta, oriunda da cooperativa local. Essa não era tão espaçosa, mas o motorista era mais matuto. Passamos pouco tempo efetivamente na estrada, a maior parte do trajeto foi urbano, por dentro de cidades como Muriqui, Coroa Grande, Itaguaí, afim de não pegar o engarrafamento da estrada. Apesar da van não-espaçosa a minha volta e da Mariana foi à lá burguesia: colocamos as bolsas no chão da van, esticamos nossas pernas por cima delas, pegamos o Mp3 player. Voltamos de pernas pro ar e ouvindo música. Ê vida boa. No rio chegamos por volta das oito e muita da noite. Desci aqui junto com a Mariana na Avenida Brasil, pertinho de casa. Deixei minhas coisas aqui e fui deixar ela em casa, de táxi, mesmo porque tinha ainda muita coisa pra pegar 665, ainda mais nesse horário... Depois voltei pra casa e sequelei... Voltei com um certo interesse por barcos e algumas idéias de aparatos pra camping. Vou colocar isso no papel... Agora, cá entre nós, tô com uma certa saudade daquela vida boa... Hehehe ::|mega|boom|blaster|:: 01. Smash Mouth - Pacific Coast Party 02. Los Hermanos - Adeus Você 03. Mundo Livre SA - Melô Das Musas 04. The Who - Who Are You 05. U2 - Vertigo 06. Oasis - Supersonic 07. Les Rythmes Digitales - Jacques Your Body (Wiseguys Mix) 08. Motörhead - Motorhead 09. Mint Royale - Miles & Miles 10. Flock Of Seagulls - I Run So Far Away Besuntaram: Satanizado por |dente|azulay| 1/25/2006 08:36:15 PM Quarta-feira, Janeiro 18 Nelson Rodrigues: "Se os fatos estiverem contra mim, azar dos fatos!" If You'Re Going To Ilha Grande... Hoje, só hoje, caiu a ficha que eu vou voltar pra Ilha Grande. Faz um certo tempo que eu não piso lá, desde a primeira viagem, quase expedição, já se passaram Ilha Grande 2, 3 e, finalmente, na quarta edição eu reapareço, como uma espécie de convidado especial de seriado, que aparece na primeira temporada, some algumas e depois volta, como se nada tivesse acontecido. Estimativas dão conta que o camping do Cosme, o marinheiro maconheiro dos sete mares, nosso piloto oficial de barcos, vai ficar pequeno pra tanta gente. Isso sem mencionar o barco, que parece recém saído de um kinder ovo... São cerca de 14 pessoas indo amanhã a tarde e mais algumas que chegarão no sábado. Pretendo ficar lá só até domingo com a Mariana, mesmo porque, acho que depois de três dias isolado, vou começar a ficar com saudades de coisas pequenas da vida, tais como interruptores de luz, ainda mais agora que instalaram o ventilador de teto e o que não falta é interruptor pra ligar isso, aquilo outro e por aí vai. De lição da última aventura ficou: 1) Levar uma barraca portátil de verdade, não uma tenda soviética da guerra fria com direito a mausoléu pro Lênin e tudo mais. 2) Lanternas, muitas lanternas. Podem salvar vidas, em especial a minha. 3) Pilhas, muitas pilhas comuns pra lanterna, algumas recarregáveis pra câmera e mp3 player, só não sei como vou carregá-las. 4) Protetor solar. De fator baixo. Infelizmente não sou como algumas pessoas que passam só um fim de semana na praia e voltam moreninhas. Tecnicamente é isso. Claro que tem mais coisas, em especial na parte médica. Minha mãe, que é hipocondríaca, mas com os outros, deve me fazer levar um kit médico de fazer inveja a qualquer UTI. Falta saber se o traje biológico cabe dentro da mochila. Mais cedo fui no supermercado, depois fui cortar o cabelo, esse tipo de coisa que só faço quando viajo. Passei no banco, rapelei minha conta, tadinha, o terminal que eu tava usando até saiu do ar depois que eu desloguei. Tudo isso ouvindo a maravilha pós-moderna: o mp3 player. Nossa, como as idas até o centro da penha eram sem graças antes disso! Ouvindo música, pensando na viagem, tive, de súbito, seis momentos clipes para "Ilha Grande - O filme" a ser gravado no decorrer da viagem. Tá aí: uma filmadora digital como presente de aniversário desse ano cai bem hein? E olha que eu tô dando tempo pros meus 5 leitores se articularem e comprá-las. Abertura do filme, com o pessoal no barco: Daft Punk - Voyager Momento Jack Ass, joselitagens e afins, tombos, pulos na água, bizarrices, clipe demência: Ramones - Surfing Bird Amanhecer de sábado em Ilha Grande: The Cardigans - Your New Cuckoo Fugindo de Abraão: Brujeria - La Migra Passeio de barco pra Lagoa Azul - Led Zeppelin - Moby Dick Fazendo uma bomba nuclear com chiclete mastigado e um grafite 0,5mm pra salvar Ilha Grande de investidores neoliberais: Rush - Tom Sayer Filmão hein? Esse é o último post antes da viagem, quando voltar, espero ter casos de bizarrices agudas pra contar. Quem sabe essa viagem até ressuscite alguns blogs? Em todo caso, se tratando da minha pessoa, cuja casa é atingida por uma árvore que foi atingida por um raio duas vezes no mesmo lugar, talvez não volte... Hahaha... De todo mais, me desejem sorte, vai? E boa viagem pra mim! ::|mega|boom|blaster|:: 01. Daft Punk - Voyager 02. Ramones - Surfing Bird 03. The Cardigans - Your New Cuckoo 04. Cachorro Grande - Dia Perfeito 05. Velvet Revolver - Dirty Little Thing 06. Ram Jam - Black Betty 07. Surf Shop Ted - Vendaval 08. Brujeria - La Migra 09. Led Zeppelin - Moby Dick 10. Rush - Tom Sayer Fui!: Satanizado por |dente|azulay| 1/18/2006 06:52:44 PM Terça-feira, Janeiro 17 amanhã tem... Satanizado por |dente|azulay| 1/17/2006 03:41:02 AM Sexta-feira, Janeiro 6 Nelson Rodrigues: "Sexta-feira é o dia em que a virtude prevarica." Então você acorda. Primeira coisa que vê, ainda bastante sonolento, é o ventilador de teto girando vagarosamente. Você está suado, sua roupa parece molhada. Não consegue enxergar muita coisa, os seus óculos estão em lugar que você não sabe onde, possivelmente em cima da mesa do computador. Ainda deitado e um pouco assustado, procura saber que horas tem. Os dois relógios digitais da sala estão piscando, marcando "00:00". Boa... Deve ter faltado luz mais cedo. Melhor ver no celular, que está sobre a mesa, a mesma dos óculos. Quando vai levantar, ora, que diabos é isso? Um esparadrapo na dobra do braço, uma marca de injeção no outro. Ambos braços ainda doem um pouco, levanta, vê que são um pouco mais de quatro da tarde, então a constatação: ué, cadê todo mundo? Chama pai, irmã, pessoas que deveriam estar ali e nada. Que diabos aconteceu? Agora já com os malditos óculos dá pra andar pela casa, mas as pernas estão mais pesadas que o habitual, sinal de que ficou muito tempo deitado. Uma água na cara e uma olhada no espelho, pelo menos fisicamente nada anormal. Quero dizer, nada além do tosco de sempre, sem saber se isso é bom ou ruim. Vem uma lembrança... Acordara mais cedo, andou pela casa toscamente, religou o disjuntor do chuveiro elétrico. Porque tinha feito isso? Porque sua lembrança mais recente e turva era essa? Um suco de manga é bom pra pensar. Ou menos é nisso que acredita. Na verdade poderia ser suco de qualquer coisa, contando que não fosse água. Falando em água, quando fora lavar o rosto antes, percebeu o cheiro da água, o gosto de mesma. Agora muitos vão lembrar da tia Terezinha falando que água não tem cheiro e não tem gosto. Discorda... Se não tivesse cheiro nem gosto, ninguém ia perceber que estava bebendo água ou não saberia diferenciá-la... Enfim, talvez possa ser algum excesso de cloro, ou simplesmente o olfato acordou mais apurado. Afunda nas lembranças, vem a sensação de dor de garganta e a ida a clínica. Há antibióticos sobre a estante, Cefalexina 500, daqui há algum tempo o corpo já vai produzir isso automaticamente. Pensa de novo na clínica, dia chuvoso, um pouco de frio, ou seria febre? Ah... Uma enfermeira, baixinha, velhinha, tosquinha, daquelas de acabar com qualquer fetiche. Tem também um doutor, fanfarrão, faz piadinhas, gente boa. Enfermeira, doutor, clínica e... injeção! Isso explica as marcas no braço, o direito já ficando com umas marquinhas roxas até bonitinhas. Injeção, injeção... De que? Vem o nome penicilina na mente... Penicilina? Isso é coisa da segunda guerra mundial, onde tudo se resolvia na base desse único antibiótico. Já imagina um hospital daqueles de guerra, lotados de feridos, tomando injeção de Penicilina. Não, não, pera lá... Plasil, água destilada e... e... Dipirona. O médico, que já não parece mais da segunda guerra, muda de planos por não saber como reagiria a penicilina. Imagina que água destilada é coisa pra bateria de carro, mas, enfim, já tá lá deitado mesmo, vai fazer o que? Só sabe que a injeção funciona - e bem. A sensação contínua de estar sendo enforcado, devido a inflamação na garganta constatada alguns dias antes, vai sumindo gradualmente. Sono, um dos efeitos imediatos desse coquetel injetável, aparece. Pálpebras pesam. Parece que no fundo tem alguém dizendo: "Você está ficando cansado... Com sono...¿. Então as coisas ficam claras: dor de garganta; ela piora, parece quem tem alguém te enforcando; você vai a clínica, o médico manda uma injeção de dipirona, água destilada e plasil; a enfermeira erra a veia do braço direito, deixa marca e um esparadrapo; os remédios dão sono, você dorme por mais de 18 horas; acorda confuso; depois lembra de tudo e termina seu dia jogando Call Of Duty no computador... Dá pra fazer um fluxograma com isso! Comparado com 2005 cujo primeiro momento kodak foi o show de Ludov e Gram, esses fatos, ocorridos logo nos dias 1 e 2, faz pensar como diabps será esse 2006... ::|mega|boom|blaster|:: 01. Select Start - Sonic The Hedgehog Medley 02. Billy Idol - Eyes Without A Face 03. Los Hermanos - Todo Carnaval Tem Seu Fim 04. MegaDriver - Thundercats 05. Chick Corea - The Great Pumpkin Waltz 06. MegaDriver - Claws Of Vanity - Vega's Stage 07. Supertramp - Easy Does It 08. MegaDriver - Sonic Boom - Guile's Theme 09. Simply Red - Look At You Now 10. Junkie XL - Melange Tomaram injeção: Satanizado por |dente|azulay| 1/6/2006 03:30:45 AM |